im-
9 de Maio :: Festival da Fábrica :: Teatro Helena Sá e Costa :: Porto
Concepção e interpretação: Vera Mota e Francisco Camacho
Cenografia: Vera Mota e Francisco Camacho
Vídeo: Vera Mota
Desenho de luz e direcção técnica: Nuno Patinho
Consultoria: João Filipe Marçal e João Manuel de Oliveira
Assistência de ensaios: Patrícia Milheiro
Produção: EIRA
Co-produção: EIRA, Fábrica de Movimentos/Festival da Fábrica
Apoios: Núcleo de Experimentação Coreográfica-NEC
Agradecimentos: Ghuna X, Luís Magalhães, Giovanni de Biasio
Vera Mota e Francisco Camacho apresentam im-, uma co-criação que junta pela primeira vez a artista plástica e o coreógrafo.
Nesta peça, a concepção e a utilização dos materiais equacionam a possibilidade de permanecer em potência, num estado “entre”. A abstenção do fazer é tomada como condição que admite todos os possíveis, sendo que as figuras criadas pelos dois autores e intérpretes não evitam assumir, por vezes, outros papéis.
Como pode alguém permanecer ocupado não fazendo nada? Como pode um indivíduo desclassificar a sua presença? Como pode abdicar da sua condição privilegiada, de ser sublimado, em favor de algo sem qualidades e cujo destino é ser esmagado?
Neste espectáculo a palavra chave é talvez “desclassificar”, assim, assiste-se a uma tentativa de não ser ou deixar de ser alguma coisa. im- apresenta um conjunto de situações em que as acções vêem a sua importância reduzida, são o que são, e na sua ausência de objectivos aquilo que acontece esmaga-se a si mesmo. Os diversos materiais surgem nivelados, em exercícios que se perdem, ou que são abandonados antes de se concretizarem. Tudo permanece informe, na aparência e no sentido. A tensão entre o plano horizontal e o plano vertical é permanente.
Ao longo do espectáculo são criadas expectativas que logo se dissipam, sem nunca antes se cumprirem. Mesmo a introdução de códigos como o texto, não visa fornecer uma explicação para aquilo a que se assiste, mas sim actuar como mais um elemento disruptor. Assim, a tentação de alcançar uma chave para a compreensão de im-, é aqui contrariada.
O abandono sucessivo de materiais revela um estado de desilusão e vazio constantes. As personagens, ora diluídas no espaço, repousando inertes, ora separadas da cena pela estranheza de acções que parecem sempre desajustadas, apresentam-se desenraizadas, deslocadas, sem esforço, sem motivação. As figuras, cuja identidade é pouco clara, mantêm-se na potência do não fazer, não concretizar.