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vista da exposição

SOFIA LEITÃO

The Crystal Cabinet

Inauguração 5 de Dezembro, 6ª feira, às 21:30. De 6 de Dezembro a 12 de Janeiro.

 

Esta exposição tem como ponto de partida o poema "the Crystal Cabinet" , de William Blake, que remete para a problemática da relação entre a beleza e o mal, através de uma perspectiva simbólica, onde o mito da beleza é uma força destrutiva, assim como uma fuga defensiva à fealdade da natureza.

O gabinete de cristal, é aqui entendido como o próprio corpo, uma armadilha feminina, feita de ouro, pérolas e cristal, que não é senão um luxuoso mas humilhante confinamento, que termina com a sua explosão.

Neste contexto, interessa-me explorar como meio de expressão artística, através da pintura sobre papel e da escultura, utilizando o imaginário que o uso do vestuário e dos adornos pessoais convoca,  com o seu  campo referencial, quer seja de ordem psicológica, histórica, simbólica  e sexual, onde  o espelho se torna um material ambivalente, mágico, na medida em que absorve e reflecte tudo o que rodeia, tendo a capacidade para transformar o espaço em que se encontra.

S.Tomás de Aquino, considerou que o brilho e a claridade são a qualidade fundamental da beleza. A cultura ocidental sempre foi obcecada por superfícies duras e polidas patenteada na forma como o ocidente sempre transformou armas em obras de arte, questionando a inocência e benignidade da beleza como conceito.

Relaciono este conjunto trabalhos com o tema "Memento Mori" ao remeterem para um corpo ausente, a partir da representação destes objectos específicos.

Para mim, estas peças propõem contadições, dúvida e fragilidade e integram-se na tradição clássica da síntese de contrários, ao compreender que o erotismo está impregnado de agressividade, através  da confrontação entre algo que pode ser interpretado como ameaçador e sedutor ao mesmo tempo.

Os corpetes, assim como os colarinhos, são objectos de constricção e controle, e jogam contra a noção de intimidade ao insistir no isolamento técnico em relação à natureza. O apolinismo ocidental ao ser inflexivel, impermeável, adamantino representa uma estética do fechamento. Ao fixar a persona social, o vestuário transforma o pensamento, o comportamento e o género.

Estas esculturas, apesar de se relacionarem directamente com o corpo, oferecem resistência à natureza, devido à hostilidade da sua linha visual que contém aspereza e iconicismo, onde a luz garante uma visibilidade permanente.

 

Sofia Leitão

 

 

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