MIMETISMO
A trajetória do artista brasileiro Efrain Almeida é fortemente marcada pela observação de dois ambientes familiares: a marcenaria do pai e o jardim da mãe na casa de Boa Viagem, no interior do Brasil. Dali, o artista retira tanto o ofício e a materialidade de sua produção, a madeira umburana, plantada nos terrenos da família, quanto ultrapassa os limites geográficos e conceitua de forma contemporânea a idéia de natureza. Na exposição MIMETISMO, Efrain apresenta-nos um conjunto de 22 mariposas e um auto-retrato em que seu corpo é mimetizado com estes insetos lepidópteros que se caracterizam por hábitos noturnos. Na observação do jardim, o artista percebeu que alguns insetos procuravam flores ou folhas que se mimetisassem com suas cores originais, amarelos sobre amarelos, vermelhos sobre vermelhos. Na coloração da mariposa, a tonalidade amarronzada da madeira fica evidente. Deste fato, Efrain Almeida retira uma conceituação que se relaciona ao elemento histórico tão caro à história da arte: a representação da natureza. Na arte, o homem se dedicou a imitar a natureza, mas e quando a natureza imita a si mesmo? O artista nos expõe, assim, que a imitação é uma espécie de comunhão entre os seres, tão banal que chega a parecer sobrenatural. O trabalho de Efrain, partindo deste ambiente íntimo, nos liga, também, à transcendência, à religiosidade. Nas aquarelas, vemos estigmas e elementos cristãos. A dor, as marcas, o corpo, estão, em MIMETISMO, problematizados. Percebemos, então, que a arte de Efrain Almeida se interessa pelo mundo que nos é familiar, observado no relance das tardes, no quintal da casa, mas que guarda, por isso mesmo, o enigma, o mistério de existir.
Marcelo Campos

EFRAIN ALMEIDA, Ga, 2008 (pormenor), Umburana e madeira laminada, dimensões variáveis.
Cortesia Galeria Fortes Vilaça. ©Tokyo Wonder Site. Fofografia: Ken Kato